Quadro do “Fantástico”, “O Conciliador” é um verdadeiro achado. Criativo, tem conflito, emoção e corre num trilho positivo rumo ao entendimento. Isso tudo sem excluir o espírito querelante de que o espectador gosta. Como se não bastasse, os personagens são saídos da vida real — diferentemente do que acontece em muitos programas da TV, que encenam as situações de conflito. Isto garante a “O Conciliador” uma espontaneidade preciosa.
Alguns dos embates mais interessantes apresentados ali foram o das mulheres sem água encanada, o do ex-casal empacado na partilha de bens e dos vizinhos em litígio por causa de animais no apartamento de uma das partes. Todos tiveram desfechos felizes e com uma lição suplementar: é a “felicidade realista”, ou “dentro do possível”, não aquela idealizada, a das novelas.
Anteontem, foi a vez de um impasse entre uma imobiliária, o músico Júnior, locatário de uma casa, e a irmã dele, a comerciante Tânia, que entrou numa furada ao se tornar a fiadora do negócio. Depois de horas de discórdia, chegou-se a um acordo, a dívida foi reorganizada, e Júnior apostou que o mal-estar em família se dissipará. A única (mas importante) escorregada de “O Conciliador” anteontem foi ter mostrado muitas vezes a banda do rapaz em ação. Ficou parecendo que estes 15 minutos de fama na TV vão ajudá-lo a fazer mais shows e, assim, resolver a dívida. E “O Conciliador”, para funcionar bem, não pode parecer “O Empurrador”.
Por Patrícia Kogut, jornalista do jornal O Globo
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